sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Lutar não é crime! Não à repressão e à criminalização dos lutadores!

Lutar não é crime! Não à repressão e à criminalização dos lutadores!

Por: Arielli Moreira – Comissão Executiva Estadual da ANEL SP

1388592_10201936044954360_747631191_nEm junho os jovens e os trabalhadores ocuparam as ruas do Brasil. Foram milhões nas ruas dizendo que a luta não era apenas por vinte centavos, a nossa luta era por transporte, educação e saúde de qualidade. Demonstramos que, quando o povo se une e vai para as ruas, nem um governo é capaz de segurar e as vitórias são inevitáveis.

O governo tentou barrar a força da juventude, mandou a PM reprimir fortemente as mobilizações e o resultado disso: mais gente nas ruas. Junho passou, mas nossa luta não acabou. Voltamos às ruas em julho e agosto, junto com a classe trabalhadora e fizemos greves nacionais que o Brasil não via desde a década de 80.

Em agosto, seguindo o exemplo de Belo Horizonte e Belém, ocupamos Câmaras Municipais em todo o Brasil, exigindo passe livre para estudantes e trabalhadores. Em Natal, a luta pelo passe livre tomou dimensões gigantescas e, apesar da governadora Rosalba e do prefeito Eduardo Nunes Alves, que tentaram dar diversos golpes para evitar que o projeto fosse aprovado, os estudantes conseguiram o passe livre na cidade. E a luta não parou, pois o projeto aprovado tem limitações e os estudantes querem mais!

No Rio de Janeiro, vivemos um grande processo de greve dos professores e atos de ruas. Em outubro, as reitorias das principais universidades de São Paulo (USP e UNICAMP) foram ocupadas na luta por democracia! Ou seja, nossa luta continua e está crescendo cada vez mais!

Agora, diante do medo de que a juventude volte ocupar as ruas como aconteceu em junho, o governo aumenta a ofensiva repressiva, prendendo e processando centenas de ativistas. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou no último dia 30 de outubro, um operativo conjunto entre a Polícia Federal e as polícias de Alckmin e Cabral a fim de investigar e reprimir ainda mais as manifestações públicas. Trata-se de um ataque claro aos lutadores.

No Rio de Janeiro, o governador Cabral reprimiu violentamente os atos de milhões de profissionais da educação em greve. A televisão divulgou cenas da PM forjando flagrantes para incriminar manifestantes. Vários manifestantes foram presos durante as manifestações. Além disso, a Assembleia Legislativa carioca criou a Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas e aprovou uma lei que proíbe o uso de máscaras, lei que já tinha sido aprovado por Eduardo Campos em Pernambuco.

Assim como faz Cabral do PMDB e Eduardo Campos do PSB, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro do PT, está perseguindo dirigentes do Bloco de Lutas de Porto Alegre, incluindo o ativista da ANEL Matheus “Gordo”. A PM de Tarso invadiu as casas e apreendeu cadernos e computadores daqueles que organizaram as manifestações de junho na capital gaúcha.

Em São Paulo, um casal de manifestantes foi preso no dia 7 de outubro e enquadrado na Lei de Segurança Nacional, editada durante a Ditadura Militar. O governador Alckmin também já anunciou que a PM vai voltar a usar balas de borracha para dispersar atos de rua. No dia 15 de outubro, a passeata dos estudantes da USP e da UNICAMP, que se dirigia ao Palácio dos Bandeirantes, foi brutalmente reprimida. A PM prendeu cerca de 60 de estudantes, dentre eles as ativistas Clara Saraiva, Comissão Executiva da ANEL e Letícia Alcântara, Comissão Executiva Estadual da ANEL São Paulo.

Não bastasse a violência desmedida utilizada pela polícia para dispersar os atos, agora os ativistas que foram presos nos atos em São Paulo, desde agosto, estão respondendo a inquérito policial. São ao todo 153 manifestantes que estão sendo chamados a depor na condição de investigados, autores ou averiguados em crimes como depredação e agressão.

Lutar não é crime!

O que o Governo Dilma, Alckmin e Cabral pretendem não é apenas retomar o controle das ruas. Essa ação aponta para um aumento da repressão aos movimentos sociais, ativistas e entidades na tentativa de fechar o cerco contra eventuais manifestações em 2014, durante a realização da Copa do Mundo.

Nós da ANEL, estamos sendo diretamente atacados. São ativistas importantes da nossa entidade sendo processados por ir à rua exigir transporte, saúde e educação de qualidade para o povo brasileiro. O governo tenta impedir que o povo volte às ruas, reprimindo os lutadores e organizações estudantis como a ANEL. Porém, não nos pararão!

Os movimentos sociais não podem permitir a continuidade das prisões, perseguições e da violência policial. A Polícia Militar não é mais segurança da população. Pelo contrário, é repressão, criminalização dos movimentos sociais e genocídio da juventude negra.  A morte do pedreiro Amarildo, do jovem Douglas e a onda repressiva que estamos acompanhando demonstram o caráter da PM. Esta polícia é mais um dos resquícios da ditadura militar no Brasil que serve apenas aos interesses dos ricos e poderosos deste país. Por isso temos que exigir a desmilitarização imediata da polícia, não aceitaremos mais esta polícia racista que mata diariamente nossos jovens nas periferias brasileiras.

Suas balas não atingem nossos sonhos!

A ANEL se coloca a serviço da organização de uma ampla campanha de solidariedade aos perseguidos políticos e de denúncia contra a repressão e a criminalização dos lutadores, que envolva entidades estudantis e sindicais, movimentos populares, parlamentares, intelectuais e artistas.

A juventude que parou o Brasil resistiu à repressão em junho, tem um recado: Não vamos parar e amanhã vai ser maior, pois suas bombas e balas não atingem nossos sonhos! Por isso, nos colocamos contra toda repressão e criminalização dos movimentos sociais. Não aceitaremos a criminalização da ANEL e nem de qualquer entidade que esteja na luta!


Ditadura nunca mais! Dilma, acabe com os resquícios do regime militar no país!

Chega de Prisões e inquéritos!

Fora Alckmin Corrupto e Ditador!

Fora Cabral, Vá com Paes!

Pelo direito de lutar! Lutar não é crime!

Contra a repressão e a criminalização dos movimentos sociais!

Desmilitarização da Polícia Já!

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